segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Record apela novamente para o "editorial dos desesperados" e banca a Janete


A babuína continua ingênua... 
A longa reportagem do “Domingo Espetacular” do último dia 8 sobre as conquistas da Record em audiência, faturamento, expansão e crescimento não deve ser levada a sério. E é muito fácil de entender o porquê disso. Aquilo ali é humor do mais refinado. Um novo modelo de stand up comedy. Que Rafinha Bastos que nada, o The New York Times precisa falar com essa turma de comediantes.
O mais engraçado é que toda a imprensa, aquela que anunciou o declínio das faixas matutina e vespertina, do jornalismo, dos sábados e domingos, ao longo de 2011, ficou com cara de boba. Sim, a Record deixou subentendido que a imprensa é uma tiazinha solteirona que adora ficar o dia inteiro na janela olhando a vida dos outros, aumentando, criando, e por aí vai.
É de se pensar. E as manchetes da Folha, Veja, Estadão, Terra, UOL, IG, O Dia, Extra? E os renomados jornalistas, como Flávio Ricco, José Armando Vannucci, Ricardo Feltrin, James Akel, Maurício Stycer, Cristina Padiglione, Patrícia Kogut, que tanto falaram sobre a queda da emissora de Edir Macedo ao longo de 2011? Foi tudo invenção? Até que ponto chegaram.
A cena e o filme são os mesmos. Quando acuado, o canal 7 de São Paulo apela para o seu já batido “editorial dos desesperados”. Nele, os famosos gráficos, a ironia, o exagero e o egocentrismo se misturam em tom de editorial para chamar a atenção do mercado e dos telespectadores.
2011 foi um dos piores, senão o pior, ano para a Record. O ano em que quase tudo deu errado. Mudanças de horário, quase 30, audiência em queda, seja no jornalismo, com o “Jornal da Record” chegando a míseros 4 pontos, seja na dramaturgia, com a caríssima “Vidas em Jogos” cravando 9 pontos, seja na linha de shows, com “Ídolos” e “O Aprendiz” levando uma surra da velhinha “A Praça é Nossa”. Sem falar no badalado “Pan de Guadalajara”, que ficou por algumas ocasiões atrás de SBT e Band.
Até o “Fala Brasil”, que a reportagem aponta como líder há 3 anos, já não tem forças suficiente para combater as receitas de bolinho de chuva da Ana Maria Braga. E o “Hoje em Dia”, que tomou para si o mérito de ter feito Fátima Bernardes abandonar o “Jornal Nacional” para salvar as manhãs da Globo? A revista eletrônica de Chris Flores e companhia vem patinando na casa dos 4 pontos, ficando atrás dos desenhos do SBT. Isso sem falar nos micos do ano: “A Fazenda 4”, “É aí, Doutor?”, “Cidade Alerta”, “Marcas da Vida” e “A História de Éster”.
Até o remake de “Rebelde”, mostrado na reportagem como o responsável pela disseminação de um movimento intitulado “Rebeldemania”, tão importante quando o Iluminismo, vem decepcionando. A novelinha teen já foi testada em diferentes faixas, chegando à marca de 6 pontinhos. Sem falar no “Programa Silvio Santos” que vem tirando audiência do “Domingo Espetacular”. Não nos prolonguemos, afinal faltará espaço para tanta coisa.
Ano passado, até o SBT, tido pela cúpula da Record como carta fora do baralho, ressurgiu das cinzas. A emissora de Silvio Santos fecha com frequência na vice-liderança durante as manhãs e principalmente à tarde. “Marimar”, por exemplo, já mandou quatro adversários pra lona. E a média nacional de dezembro? Record e SBT fecharam empatadas em exatos 4.7 pontos. Sem falar em algumas praças, como Porto Alegre, Rio de Janeiro, Vitória, Distrito Federal, Recife e Goiânia, que o canal da Anhanguera voltou a conquistar o segundo lugar.
Por que a Record não mostra isso? Por que a queda de 2011 foi deixada de lado? Por que a emissora não mostrou que perdeu 2.7% de sua audiência na Grande São Paulo de 2010 para 2011, enquanto SBT cresceu 5.5%, indo de 5.4 para 5.7 no mesmo período?
Estará toda a imprensa mentindo, reunida num complô contra a emissora do Bispo Macedo? E o mercado publicitário, o que pensa disso? Porque os dados do Ibope, inclusive com as quedas, foram repassados ao setor. Porque só agora a Record resolveu trazer a público seu “editorial dos desesperados”? O que está por traz disso tudo? Uma jogada de marketing?
Enquanto a Record bancar a Janete, a ingênua amiga da Valéria do “Zorra Total”, seu tão proclamado crescimento dissolve-se a passos largos. A emissora precisa colocar os pés no chão, deixar as fantasias de lado e redefinir sua linha de investimentos. É passada a hora de fazer TV de verdade. O mercado já não vê com bons olhos essa postura. E o mais importante, a emissora tem que criar personalidade própria, parar de viver à sombra das concorrentes, e buscar sua essência, afinal o que é a Record? Uma Globo mal copiada ou um SBT evoluído negativamente? 

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